Explorando o lado chique de Santiago e o Cerro Santa Lucia

Chegava o terceiro dia e não sabia bem qual roteiro fazer, pois em pouco tempo você já vê boa parte dos pontos turísticos da cidade. Optei por fazer roteiro parecido com o indicado neste post pelo mochileiro Leo, especificado na “OBS2”.

Pegamos o metrô e saltamos na estação “El Golf” conforme indicado. O lugar tem prédios modernos, é a região onde moram os ricos da cidade. Passamos por pontos interessantes, como esse da foto e Luciana viu um Banco do Brasil, pra sua alegria. Aproveitaríamos para sacar mais grana, pois gastamos com compras e isso não estava inicialmente previsto no planejamento, pois supostamente tudo seria muito caro em Santiago. Então lá fomos. Eu não queria entrar, pois teria que me livrar de um monte de tralhas pra passar naquelas portas de banco.

Mas, pra minha surpresa, lá não há dessas portas. Você sai entrando normalmente e é recebido pelo gerente, que falava um português bom, com leve sotaque gringo. Nos dirigimos ao caixa, havia uma brasileira e uma chilena, fomos na brasileira. Não é possível sacar reais, apenas pesos e nessa operação incide IVA e uma comissão, que não sei o que é. Não me lembro os valores. A cotação para trocar reais por pesos não era ruim, mas também não era das melhores. 1 real a 245 pesos, quando na calle Agustinas, no centro, trocamos a 252 na segunda e, na sexta, a 247. Em geral você não encontra câmbio bom saindo do centro. Pra se ter uma ideia, andando pela Providência vimos, em média, 1 real cotado a 235 pesos, cotação bem ruim.

Saímos de lá e continuamos caminhando bastante. A paisagem não mudou muito. Já começava a bater fome e um certo cansaço. Pra piorar, minha mãe estava com uma bolha que havia estourado, não podia andar rápido. Na estação Pedro de Valdivia interrompemos o roteiro e pegamos novamente o metrô. O destino era a estação Baquedano, onde saltaríamos para finalmente irmos ao restaurante “Como Agua para Chocolate”, que mencionei no post anterior. O lugar é bem legal, decoração original e o principal diferencial é essa mesa em formato de cama.

O ponto forte é mesmo a decoração. O serviço não foi dos melhores. A garçonete, embora bem intencionada, era meio atrapalhada. A comida foi boa, mas nada de destaque. Cada prato custa entre 8 e 11 mil pesos. Eu e Luciana pedimos um congrio que levava queijo ralado e espinafre. Minha mãe pegou uma corvina flambada no rum. A apresentação do prato ficou meio feia, embrulhado num alumínio. O nosso era mais arrumado, embora você mal pudesse ver onde estava o peixe.

Seguimos tirando fotos do interior, de decoração bem original. Pena que não tenhamos chegado a ver o filme antes de conhecermos o restaurante, então não temos como saber se foi uma reprodução fiel, ou uma inspiração criativa. O lugar estava um pouco vazio, provavelment efeito da concorrência com os inúmeros restaurantes do Pátio Bellavista, que é ali perto. Mas creio que encha mais no jantar. Pedimos a conta e, no fim, ainda ganhamos cartões postais com foto do restaurante ao fundo.

De lá, ainda passamos mais uma vez pelo Patio Bellavista e chegamos ao Parque Forestal. Andamos um pouco mais por ele e pudemos ver algumas coisas diferentes, mas continuava sendo um conjunto de praças comuns. Ali pertinho há o Emporio de la Rosa, ótima sorveteria indicada no forum mochileiros. Os sorvetes se assemelham aos gelatos italianos e não custam caro, se comparados aos melhores daqui do Brasil.

Já pertinho do ap, era uma boa oportunidade para conhecermos o Cerro Santa Lucia. Apesar do tempo ainda não estar colaborando – tudo continuava cinza – resolvemos encarar, vai que o tempo piora depois e não sobra tempo. Mais tarde descobrimos que estávamos certos. A entrada ao lugar é gratuita, você só tem que dizer seu nome e de onde vem, pra constar no livro dos visitantes. Ali fica cheio de adolescentes namorando, deitados naquele verdão da grama e alguns, com toda certeza, fumando outro tipo de verde.

Quando for pra lá, se prepare para subir muitas escadas. Bem pior do que o Cerro San Cristobal. Para chegar ao primeiro nível há um elevador, mas não estava funcionando. Dali em diante é a pé mesmo. Numa altura intermediária há uma praça, onde pessoas ficam relaxando e tudo é bem arborizado. No topo há uma espécie de torre, que lembra ruínas de um castelo, como você pode ver na foto. Você pode subir lá e o local é point de estudantes e jovens casais. As vistas pra cidade são legais, embora a cidade ainda estivesse envolvida pelo smog, permanecendo aquele aspecto cinzento. Você pode usar uma luneta, inserindo uma moeda, creio que seja de mil pesos. Achei caro e só tirei foto fingindo que estava usando.

Estávamos um pouco cansados e fizemos tudo bem devagar, ainda mais porque minha mãe não gosta de subir escadas. Voltamos faltando pouco para o pôr do sol. Eu, iludido, ainda queria tentar tirar foto desse espetacular fenômeno, mas não tive sucesso. O sol se põe atrás dos prédios. Mas já era uma vitória poder vê-lo, algo que não conseguimos nos dias seguintes. Não foi fácil configurar a exposição, pois a luz do sol era bem fraca e os prédios ou ficavam muito escuros, só aparecendo a silhueta, como se pode ver na foto, ou o céu ficava superexposto. Acabei optando pela primeira alternativa. Tendo anoitecido, já era hora de partir.

Demos mais uma volta pelo centro, passando pela Plaza das Armas, onde vimos iluminado o belo prédio dos Correios. A atravessamos para dar uma olhada numa loja da Falabella que ficava ali do outro lado, pra mulherada sonhar um pouco mais. Nada mais para ver, fomos dormir. O dia seguinte seria dia de vinícola.

Dicas:

– se você estiver com mais de uma pessoa, basta comprar um cartão do metrô para todas. Passou uma pela roleta, entrega o cartão pra outra. Custa 1300 pesos e a passagem de metrô custa entre 550 e 660 pesos, dependendo do horário que você vai pegar o metrô.

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Esse post foi publicado em 2.4 - Santiago dia 3. Bookmark o link permanente.

4 respostas para Explorando o lado chique de Santiago e o Cerro Santa Lucia

  1. Que relato sem graça… uma pena. A cidade é muito bacana, mesmo. Tranquilissima e segura como nenhuma brasileira. Vou com regularidade principalmente no verão. Ainda vou viver lá de forma definitiva. A cidade mais completa, segura, tranquila e moderna da America Latina.

  2. tatiana disse:

    Achei seu blog pesquisando minha viagem para Santiago agora em Outubro. Além das dicas, estou me divertindo com sua linguagem. Todo blog de viagem é politicamente correto, o seu é muito espontâneo. Adorei!

    • luademochila disse:

      Oi, Tatiana. Que bom que você curtiu e fico feliz de ter entendido o propósito do blog. A ideia é essa mesmo, é colocar uma opinião bem definida, geralmente refletindo meu humor na hora que estava escrevendo. Sem compromisso, é só um blog de internet relatando uma experiência, sem a pretensão de ser a verdade absoluta sobre um assunto. Pena que muitas vezes isso seja mal interpretado e algumas pessoas foram agressivas em outros comentários pelo simples fato de que eu escrevi de uma maneira que elas não gostam, ou seja, politicamente incorreto. Não sei por que as pessoas ficam tão ofendidas se você não falar maravilhas de um lugar. De certo modo é uma espécie de ditadura intelectual, em que só um jeito de se expressar é considerado correto. Antigamente eu não me incomodava com isso, mas passei a me incomodar e o blog ficou meio abandonado. Hoje já fiz diversas outras viagens, mas escrevo só no Forum Mochileiros e acho que inconscientemente meus relatos ficaram mais moderados.

      Santiago não nos empolgou muito, mas foi legal ter conhecido, especialmente pelo povo em si, que achamos bem simpáticos. Mas o segredo de qualquer viagem é ir com as expectativas corretas, eu fui com expectativa alta demais para Santiago e isso influenciou um pouco minha percepção.

      Abs!

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