Vista panorâmica de Santiago e a poesia de Neruda

Acordamos e vimos pela nossa varanda a bela Basílica de la Merced e um ceu cinza, nublado. Esse parece ser o tempo padrão de Santiago. Já dizia um mochileiro, a cidade parece muito São Paulo. Consultei a previsão e vi que não faria sol, mas também não choveria. Pareceu ser uma boa opção conhecer o Cerro San Cristobal, um dos pontos mais famosos da cidade. É um morro, com vista de 360 graus pra cidade.

Fomos a pé até lá. Contornamos o Cerro Santa Lucia, que fica ali coladinho no ap, e fiquei com preguiça de olhar o mapa e seguimos por uma direção mais longa. Não era pra ter contornado o Cerro, de modo que seguimos pela rua Victoria e paramos na Av. Libertador Bernardo O’Higgins. Ali vimos uma estátua do Cristo em cima da Universidad Catolica do Chile, aquela mesma que já ganhou do Flamengo várias vezes. Pouco adiante estava o Centro Cultural Gabriela Mistral, que é de graça e parece ter uma atividades legais, mas não estava nos nossos planos vê-lo naquele dia. Deixamos pra depois e acabamos não vendo.

Vimos um mapinha da cidade, lá fora é cheio desses mapas espalhados mostrando as ruas dos bairros e suas atrações turísticas, sinto falta disso aqui no Brasil. Por aquele mapa, vimos que dali também dava pra chegar, mas preferimos tomar a calle Lastarría, rua famosa por ter vários restaurantes, mas não paramos pra almoçar. Pouco adiante há a Plaza Mulato Gil, como você pode ver no mapa, mas optamos por virar antes, não queríamos perder muito tempo. Dali, dobrando na Vilavivencio e passando pela calle Estados Unidos era possível chegar ao Parque Forestal (isso, sem o “l”), que parecia ser um caminho mais agradável para chegarmos até o Cerro.

O Parque na verdade é um conjunto de praças geminadas, uma área verde comum, nada espetacular. Rendeu umas fotos legais, como essa aí. Atravessamos o rio Mapocho por uma ponte e caminhamos do lado de lá, numa rua paralela à Pio Nono, de modo que chegaríamos ao ponto de partida para conhecermos o Cerro San Cristobal. Ali você pega um funiculare, que é um bondinho que te leva a lugares mais altos. Quem acompanhou o blog viu que pegamos um na Itália.

O Cerro San Cristobal fica no chamado Parque Metropolitano, que é uma longa área de lazer que vai dali de Bellavista até Providencia e, acho, Vitacura, reunindo diversas atrações, dentre elas, um zoológico e um jardim japonês. Pra percorrer todas, acho que só indo de carro. O mapinha da foto mostra, em detalhes, tudo que você pode visitar e como são os acessos e os respectivos horários disponíveis. Dependendo do meio de transporte utilizado e o horário, determinado acesso pode estar fechado, de modo que é bom se planejar se for de carro. O zoológico dava pra acessar via funiculare, é a primeira estação dele. Como já vimos tanto zôo quanto o jardim em Buenos Aires e minha mãe não liga muito pra zoológico, dispensamos estas atrações e nos concentramos apenas na visita ao cerro.

Essa bela construção é a entrada da estação do funiculare. Um senhor se apressou em nossa direção e, todo solícito, se ofereceu para tirar uma foto nossa. Eu quaase recusei, pensei logo, é golpe. Vai querer nos extorquir. Felizmente não era nada disso. Ele era fotógrafo e queria ajudar a tirar uma foto da família, disse que sabia de um bom ângulo pra foto ficar legal. E nada exigiu em troca. Ufa. A gente fica paranoico em viagens, pois da mesma forma que há boas pessoas, há bilhões de golpistas, tem que ficar de olhos abertos. Noutro dia mesmo vimos um, episódio que contarei mais a frente.

Compramos os tickets de ida e volta, sem incluir o ticket do zoológico, que ficaria mais barato se comprado junto. Já na fila você, pra variar, só ouve português. E a maioria não fala uma palavra de espanhol, vimos os caras falando em português mesmo com a caixa e ela, simpática, respondendo em espanhol. Chegou o funiculare e escolhemos o “vagão” mais de cima, de onde pudemos tirar foto do outro funiculare que estava descendo. Junto com a gente veio um casal de paulistas, o sujeito estava em Santiago já há um mês e respondia “gracias” quando nos oferecíamos para tirar fotos deles, hehe. É o hábito.

Chegamos lá em cima. Como disse, o lugar tem vista panorÂmica pra cidade. Da foto, é possível ver o Cerro Santa Lucia, esse monte verde mais destacado. Ali pertinho estávamos hospedados. Note como está cinza a paisagem. Santiago é uma cidade poluída e as Cordilheiras impedem que essa poluição se espalhe pra outras áreas. Isso causa um fenômeno chamado “smog”, que vem do inglês “smoke” (fumaça) e “fog” (nevoeiro). Em dias mais ensolarados daria pra ver as belas cordilheiras dos andes, mas essa sorte só demos no final da viagem.

Seguimos um pouco mais por esse lugar cheio de escadas. Até lá em cima você vê cachorros e gente fumando, dois dos símbolos chilenos. Batendo a fome, resolvemos parar numa lanchonete, para um café. Preços não chegavam a ser muito caros. Prosseguimos observando o lugar. Um traço marcante é o clima religioso, há estátuas de santas, um pequeno mausoleu perto do topo e uma capelinha. No topo do cerro há uma estátua da Virgem, que pode ser vista, bem pequena, do Cerro Santa Lucia, é essa aí da foto. Legal é que a luz do sol ficou atrás da santa e seu contorno ficou iluminado, dando uma aparência mais sagrada (ok, só eu vi isso, mas me deixe achar que pareceu).

O cerro foi pra mim uma grande decepção. Um dos pontos mais badalados da cidade, não vi quase nada que valesse a pena, além da vista. Creio que o grande diferencial seja a vista para as cordilheiras, mas como o tempo estava fechado, não tivemos essa experiência. Pegamos o funiculare de volta e resolvemos ir até a La Chascona, casa da terceira esposa do poeta Pablo Neruda, o mais famoso do Chile. Pelo mapa deveria ser por ali. A casa era meio escondida, tivemos que perguntar pra pegar indicações. Na foto, a entrada da casa.

A visita é guiada em espanhol ou inglês e custa 3500 pesos. Achamos que valeu a pena. A guia explica, em um espanhol fácil de entender, como foi a vida do poeta naquela residência, com sua terceira esposa. A casa imita o interior de um barco. Você caminha por ela e ouve o chão ranger, tal qual em um. Partes da casa simulam proa e demais partes de uma embarcação. Pelo que entendi, a ditadura militar chegou a inundar a casa dele, que foi destruída e restaurada posteriormente. O relacionamento com essa esposa ficou clandestino por uns anos, pois não havia divórcio. Um amigo deles pintou um quadro muito interessante, está lá na casa. Mostra a mulher e, nos seus cabelos, prestando bem atenção, é possível ver a silhueta de Neruda, de perfil. Vimos que existiu o projeto de uma quarta casa, mas não foi concluído. Não é permitido tirar fotos no interior da casa e em respeito ao bom trabalho da guia, resolvi não arriscar. Essa foto é do lado de fora. Ao descer, tomei um senhor escorregão na escada e por sorte não quebrei meu pulso, só ficou ligeiramente dolorido na hora.

Após uns 30 min de visita, partimos. Na mesma rua passamos pelo famoso restaurante “Como Agua para Chocolate”, inspirado no filme de mesmo nome. Muito estiloso. Perguntamos pelos horários. Já estava fechado, pois já passava das 16h. O horário era entre 13 e 16h, pra almoço, e a partir das 19h, pra jantar. Ficamos com vontade de conhecê-lo por dentro e programamos ir pra lá em outro dia.

Seguimos e fomos ao Patio Bellavista, uma praça com restaurantes e lojas de artesanato, que vendem joias decoradas com Lápis-Azúli, uma pedra azul típica do Chile. Nem preciso dizer que as minhas queridíssimas ficaram loucas com a novidade e compraram umas joias, nada caro, preço de bijuteria. Ainda não havíamos almoçado, mas como já passava das 16h, só lanchamos o que carregamos mesmo.

Voltando, ainda passamos por mais uma, adivinhem – faculdade de direito. E lá foi Luciana aparecer na foto. Cumprida esta meta, ficamos na dúvida sobre o que fazer e resolvemos ir até o shopping Parque Arauco, o maior da cidade. Pegamos o metrô pela primeira vez, a linha 1. O metrô é bem organizado, limpo e frequente. São pouquíssimas cadeiras e chegamos a pegar, certa vez, um que não tinha quase nenhuma. Em compensação, a viagem é rápida e sobra espaço pras pessoas ficarem. Você compra um cartão chamado “tarjeta bip” e o carrega com créditos no caixa.

Saltamos na estação Escola Militar. Nossa ideia era ir até lá andando, mas vimos que estava longe demais. O mapa que recebemos estava fora de escala. Pegamos um taxi. Era uma senhora simpática que dirigia, foi a primeira vez que vi uma nessa função. E não foi caro, deu o equivalente a uns 8 reais.

Nesse momento, vendo preços atrativos, vi surgir um personagem novo, alguém que não conhecia. Apresento a vocês a “Loca por las Botas”. Fora de si, minha querida mãe ficou apaixonada e queria comprar toda a Falabella. Felizmente voltou o seu juízo de sempre e levou apenas essa bota aí. Até eu que acho um saco tive paciência, oportunidade dessas não se vê aqui no Brasil. Lá vale muito a pena comprar esses itens de frio. Já ficando meio tarde, pegamos outro taxi e saltamos na estação Manquehue. Vimos um grande supermercado, primeiro e único que vimos em Santiago. Aproveitamos para fazermos compras. Pegamos o metrô de volta e encerramos o passeio.

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