Porto Madero – como o poder público pode, quando quer, mudar as coisas pra melhor

Acordamos bem tarde e já saímos para almoçar. Como o lactaid de Luciana já era, procuramos um restaurante vegetariano. Achamos um self service pertinho do hotel. Só que o esquema ali é como na Europa (como disse, adoram imitar europeus), você paga num esquema se levar e paga em outro, se resolver se sentar. Pois bem, levando você paga por quilo e se sentando, paga um preço fixo (caro, óbvio) e mais o serviço. Isso quando não cobram o “cubierto”, que é uma taxa só pra vocÊ se sentar e receber uma merda de pão velho. Pois bem, comida fraca, embora com boa variedade. Conta saiu uma facada, quase 100 reais pra dois, com bebidas. Os sucos como falei são ruins, mas o pior é que são caros. Muitos restaurantes cobrando entre 8 e 10 reais.

Fomos a Porto Madero de ônibus. Consultamos o excelente site OmniLíneas e descobrimos que o ônibus adequado era o 93. Saltamos duas quadras antes da Casa Rosada e caminhamos até o porto. Era um belo domingo ensolarado, com poucos carros pra atrapalhar. O lugar é muito agradável de caminhar, com os diques represando aguas barrentas e prédios luxuosos e modernos ao fundo. Do outro lado, uma série de restaurantes, um do lado do outro. Deu muita vontade de parar pra almoçar por ali, mas já haviamos almoçado, infelizmente. Fica pra próxima.

Interrompo a narrativa pra justificar o título. Porto Madero era uma área portuária feia e meio abandonada, tal qual costuma ser um porto no mundo. Há uma tendência mundial de se revitalizar essa área e os portenhos deram uma bela aula de como se faz isso. É incrível, pois você sequer consegue imaginar que aquilo ali um dia foi um lugar feio. Torço para que o Rio de Janeiro siga o exemplo. Aqui há o projeto de se derrubar a Perimetral para começar a revitalização e me parece um bom passo. A área é porta de entrada pra cidade, do lado da rodoviária e perigosa, nos moldes atuais. Vamos ver como vai ficar.

Continuando, aproveitei que ainda estava cedo e sugeri uma caminhada pela Reserva Ecológica, que fica atrás dos prédios modernos. Pelo mapa, parecia ser uma opção legal, tinha umas lagoas. Bem, foi uma grande decepção. Basicamente é uma estradinha com pessoas fazendo caminhada e só tem mato ao redor. Nem cheguei a ver bichos. As lagoas, se é que existiam mesmo, estavam secas, você mal dizia que havia uma por ali. Por um momento chegamos a pensar se não estávamos no caminho errado, mas um mapa local mostrava que era aquilo mesmo. Faltou ecologia na reserva ecológica.

No final da reserva, já do lado de fora, há a Fonte de las Nereidas. A fonte é comum, nada de mais. O legal é que nos arredores há uma feirinha e uns brinquedos pra crianças. Pouco além havia uma aula de dança ao ar livre, provavelmente patrocinada pela prefeitura local. A musica era estilo salsa, não entendo bem, só sei que estava muito animado. Várias pessoas fazendo a aula e na grama que rodeava o local estavam várias pessoas assistindo e se divertindo, dentre elas umas coroas gordas de biquini, dançando felizes da vida. O lugar tinha uma energia bem legal e até eu que sou robocop senti vontade de dançar e pagar meu mico (não aquele proctologista do zoológico, é claro). Luciana estava bem animada e quase arriscou uns passinhos.

Voltamos pra área dos diques, caminhamos e ficamos por um bom tempo sentados, jogando conversa fora e curtindo a paisagem. Achei uma Freddo e lá fui eu provar mais uma vez o sorvete. Dessa vez pedi outro sabor, que não me recordo. Também foi bom, mesmas observações que fiz anteriormente. Passamos pela Fragata Sarmiento, essa da foto, mas não entramos pra visitar. A fragata foi utilizada na Guerra das Malvinas.

Pouco adiante há a Ponte de la Mujer, uma beleza arquitetônica feita por um arquiteto espanhol. Faltava pouco para o pôr do sol, que se punha no mesmo lado em que estávamos. Então atravessamos a ponte, na esperança de ver uma imagem bela. Era um dia sem nenhuma nuvem, normalmente o pôr do sol não fica tão belo. De qualquer forma não dava pra ver direito, pois os prédios obstruem a vista. Tivemos a oportunidade de ver uma cantora argentina de ópera se apresentando num restaurante. A mulher parecia famosa, pois cantava muito bem e a reação da plateia era efusiva.

Com o sol já se pondo e eu preocupado de ficar tarde demais e perigoso pra voltar de ônibus, resolvemos voltar logo. Mesmo tendo acordado tarde, ainda estávamos bem cansados da longa caminhada do dia anterior. Resolvemos poupar as energias, pois o dia seguinte seria de Luján !

Dicas:

– os ônibus em Buenos Aires aceitam apenas moedas e um cartão que não sei como conseguir. Não adianta levar notas. O esquema é o seguinte, você diz ao motorista seu destino e ele te dirá quanto pagar, atualmente fica por volta de 1 peso, com algumas variações de centavos. Aí você insere, uma a uma, as moedas numa máquina que fica atrás dele.

– como disse, deixe pra almoçar em Porto Madero. Lá os restaurantes em média não são baratos, mas pesquisando bem é possível achar alguns bons e baratos. Um famoso é o Siga la Vaca, churrascaria com preço fixo e tudo incluso. Não arriscamos esse porque eu ainda estava recém-operado.

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Esse post foi publicado em 1.5 - Buenos Aires dia 4. Bookmark o link permanente.

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