Colonia do Sacramento, a Paraty uruguaia

Assim como Ricardo Freire, do excelente blog Viaje na Viagem, não resisti ao clichê, que tão bem explica a cidade. Chão de pedra no centro histórico, com casas antigas em estilo colonial, às margens do Rio de la Plata. É uma cidade pequena, sem grandes pontos turísticos. Turismo lá é o tradicional, caminhar e observar. Começamos o dia estressados com aquela obrigação chata de termos que arrumar as malas pra sairmos do ap. Havia marcado às 9 da manhã, pra não corrermos o risco de nos atrasarmos para pegar o barco para Colonia. Estava programado para 12h30 e você tem que chegar no mínimo 1h mais cedo pra fazer o check-in, despachar malas e passar pela imigração. A proprietária chegou faltando 5 minutos pro horário combinado e isso me atrapalhou, pois fazemos tudo em cima da hora. Estava cuidando de tirar o carregador do netbook da tomada, me distraí com a campainha e o esqueci lá.

Erro que me deu trabalho pra corrigir e me custou caro, falarei adiante. A proprietária fez a vistoria do apartamento. Está previsto no contrato que você no início dá uma caução, no mesmo valor do aluguel, e este valor pode ser usado para repor possíveis danos no imóvel. Felizmente isso não foi necessário, tudo certo e nos despedimos. Pegamos um taxi pela primeira vez e bateu aquele medo de tomar golpe, acho que já comentei que lá os taxistas têm essa fama e é preciso ficar atento.

Na Argentina e, mais tarde, notei que também no Uruguai, você coloca o quanto de malas puder no banco da frente, assim, soltas. É uma certa má vontade dos taxistas, que não querem nem sair do carro pra te ajudar com as malas. Da mesma forma, nenhuma palavra é trocada no trajeto. Tem gente que fica puta com isso, acha antipatia. Pode ser, mas não me incomodo, só não quero ser mal tratado, nem tomar golpe. Felizmente isso não aconteceu e a corrida deu uns 32 pesos, praticamente metade do valor da ida, equivalente a uns 15 reais. Maravilha, pra quem ainda chegou a pensar em ir de ônibus. Estávamos com sobra de pesos e resolvi deixar a corrida em 40 pesos, que dava uns 18 reais. Bem, o cara magicamente mudou, ficou todo simpático, saiu do carro, ajudou com as malas e deu aquele “boa viagem”, hauhauahua. Como o dinheiro educa as pessoas.

Chegamos muito cedo no terminal, pra variar. Ou é assim ou em cima da hora, não conhecemos meio termo. Procuramos um lugar pra sentar e Luciana achou que podíamos sentar num banco em frente ao guichê de informações, onde estava um senhor. Mal me sentei e o cara já saiu puxando assunto. Era espanhol, com negócios no Uruguai e pegaria o mesmo barco que nós. O papo do cara era até legal, nos deu umas dicas e foi uma boa oportunidade de conversar em espanhol e treinar o idioma, o problema é que ele tinha um bafo de onça e falava rápido, sem parar, nem sempre era fácil de entender. Luciana dessa vez não me salvou, virou pro lado e ficou quieta e eu fiquei lá, dando atenção pro sujeito. Imediatamente me lembrei da mulher do casal em Luján, com o argentino. Os espíritas talvez diriam que eu estava pagando meu karma, por não tê-la ajudado na ocasião, hehe. Tenho dificuldade de dar uma de escroto e, do nada, ignorar a pessoa, também não pensei em nenhuma desculpa convincente pra me mandar dali.

Após um tempão de papo com bafo, veio o check-in, que foi o que me salvou. Fizemos e prosseguimos para a imigração. Aí novamente você tem que esperar num saguão até o embarque começar e lá estava o espanhol. Quando me viu, fechou o jornal, começou a se ajeitar pra que eu sentasse ali também e me cumprimentou. Respondi e passei direto. Pensei, já fiz social suficiente e ainda queria explorar o lugar, que tinha umas vistas legais pro rio. Em condições normais até ficaria mais um pouco pra um bate papo, mas PQP, escovar os dentes é essencial.

Pegamos o barco e foi uma viagem muito rápida, de 1h, você mal sente. Foda foi ter me lembrado que esqueci o carregador e ali já era tarde. Nossa opção era voltar, pagando mais uma nota de barco ida e volta e perder todo o passeio em Colonia, ou pedir pra proprietária mandar o carregador pelos correios depois. Foi muito ruim ficar sem o netbook, pois era nossa fonte de acesso a internet, filmes, etc. Já haviamos esquecido tanta coisa que fiquei meio abalado, bastante chateado.

Passou, chegamos em Colonia e fomos caminhando pro hotel. Era ajeitadinho, ótimo pro preço. Dali, fomos trocar pesos numa casa de câmbio na Av. General Flores e tentamos alugar um carrinho de golf. É uma opção comum, que te permite passear por toda a cidade sem se cansar. Eu tinha muita vontade de fazer esse passeio. O trânsito em Colonia é dos mais tranquilos que já vi na vida, os motoristas andam devagar e SEMPRE dão a preferência ao pedestre. Vi uns vídeos no youtube e mal podia esperar pra ter a experiência. Mas veio mais uma decepção, causada por um de nossos inúmeros esquecimentos. Luciana havia esquecido a bolsa dela, ainda no Brasil, antes de sair de casa. Dentro dela estava a carteira de motorista, que descobrimos ser necessária pra alugar o carrinho. Sim ! O negócio é veloz como uma bicicleta, não sei como poderia causar acidentes, mas você precisa de licença pra dirigir. O mesmo vale pra scooter. Bike não valia a pena, pois eram 10 dolares pro dia turístico – da abertura da agência até o fechamento – e já faltava pouco pras 18h.

Frustradíssimo por esquecermos coisas importantes, que foram fazendo falta – carregador de baterias da câmera, adaptador de tomada, carregador do netbook, bolsa com celular da Lu e carteira – foi difícil começar a aproveitar o passeio. Paramos pra almoçar num dos poucos restaurantes que ainda ofereciam refeições após 16h. Eu pedi um peixe e Lu uma carne. Estava razoavelmente bom, só não tinha sal, pra variar. O que me deixou puto foi a conta, quase 100 pros dois. A bebida é cara e ainda incluem serviço e o cubierto, o que me deixou bem puto. Na Europa ou te cobravam o serviço ou o cubierto.

Alimentados, já estava relaxando um pouco mais e demos uma volta pelas margens do rio, até chegarmos ao porto. Resolvemos ficar por ali para pegarmos o pôr do sol, embora ainda faltasse um tempão. Sentamos num banquinho, apreciando a paisagem, ouvindo ao fundo pessoas felizes falando em espanhol português. Sim, brasileiros por toda parte, dá até pra esquecer que estamos no Uruguai.

Finalmente chegou o momento. Não chegou a ser um pôr do sol memorável, pois não havia nuvens e, como falei, fica mais bonito com elas. Prosseguimos contornando o rio, passando agora pelo centro histórico e suas clássicas casas em estilo colonial. Começou a anoitecer e já não havia muito mais o que ver, nos recolhemos. Não estávamos com muita empolgação pra curtir a noite local e queríamos economizar um pouco, pois ainda havia pela frente mais 2 cidades uruguaias e Santiago. Frustrados por não dispormos do netbook pra um filminho ea tv a cabo estar com imagem ruim, com programação toda em espanhol, fomos dormir cedo.

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