Recoleta, o bairro mais bonito de Buenos Aires

Na verdade, fico na dúvida entre Recoleta e Palermo. Esse tem mais áreas verdes, enquanto aquele é mais moderno e ainda tem muitas áreas verdes, bom equilíbrio entre natureza e modernidade. Mas é da Recoleta que irei falar hoje.

Todo o passeio foi feito a pé, andamos pra caramba. Começamos passando pela Av. Del Libertador e passamos pela Plaza Republica do Chile e pela Plaza Republica do Uruguay, onde batemos essa foto de Luciana no país das maravilhas. Ali há a Embaixada do Peru e mais uma embaixada que não me lembro. Atravessamos a Praça do Uruguai, seguindo para a Plaza de las Naciones Unidas. Ali, deslumbrado, quase fui atropelado por uma bicicleta. A cidade é ótima pra andar nelas, é cheia de ciclovias, só não é boa pra ser pedestre perto delas. Os ciclistas não estão nem aí se você é brasileiro, pouco acostumado com elas e se distrai e avança no meio da ciclovia, ainda que a bike ainda esteja longe, se aproximando. Quando sentem que você é brasileiro, então, te atropelam e ainda soltam uma piada dizendo que o Maradona é melhor do que o Pelé.

Pois bem, no meio da Praça das Nações Unidas há a Floralis Genérica, escultura muito interessante. Tiveram a ideia de colocar uma flor bem no meio da praça, em posição de destaque. Um dos símbolos da cidade. É um lugar legal pra relaxar na grama, esta aparentemente sem bosta de cachorro, mas não ficamos bem por ali, visto que o sol tava forte e havia poucas sombras. Continuamos seguindo pela Figueroa Alcorta.

Avistamos uma construção bem imponente, em estilo romano, bem bonita. Era a faculdade de Direito e lá foi Luciana na sua meta de fotografar todas as faculdades de direito do mundo. Avançamos um pouco mais para seguirmos o roteiro e atravessamos uma ponte cheia de inscrições políticas, provavelmente feitas pelos alunos de direito. Dela, vimos uma bela vista com a faculdade de direito e a Floralis Genérica ao fundo. A atravessamos e seguimos rumo ao Museu de Bellas Artes.

O museu é interessante pra quem gosta de artes, tem quadros de vários artistas famosos. E é de graça. Há também exibições de curtas. Não demoramos muito lá, pois além de cansados, a fome começou a bater. Paramos pra um lanchinho na Plaza Francia, que tem um monumento bonito. Logo ali você já avista o Buenos Aires Design, shopping de decoração e, do lado, o começo do cemitério, onde foi enterrada uma turma famosa, dentre elas Evita, Perón e, dizem as más línguas, o futebol da seleção argentina.

Tem muita coisa bonita, mas é tudo tão caro e inacessível que nem vale a pena, você já se cansa de olhar. Lá há uma praça de alimentação e o point mais famoso é o Hard Rock Café. Não nos arriscamos lá, tudo tão caro e com aspecto de lanche. Sentimos que era hora de partir. Saindo pelo outro lado do shopping você chega ao Centro Cultural Recoleta. O lugar é uma decepção, não tem absolutamente nada pra ver … e o que tem de turista perdido chegando lá e voltando com o rabo entre as pernas não é pouca coisa, não. Ainda na frente do shopping há uma feira de artesanato, mas não vimos nada de interessante.

A fome se intensificava e nos focamos em achar um lugar acessível pra comer. Andamos pela Del Libertador, até chegarmos ao Patio Bulrich, mais um shopping de Buenos Aires. O padrão era basicamente o mesmo do Paseo Alcorta, sem muita coisa pra ver. Depois de tanto rodarmos atrás de opções, paramos no bom (ou nem tanto) e velho Mc Donald’s. Botei gordura pra dentro e pra terminar o serviço, ainda provei o famoso sorvete da Freddo. Muito bom, consistência dos melhores gelatos italianos. Evitei o clichê do sorvete de doce de leite e pedi um sundae com pochoclos. Eu, animalzinho, não tratei de ver o que era pochoclos, mesmo com um cartaz gigante mostrando a foto do negócio. Era pipoca. Não ficou tão bom em cima, mas o sorvete em si compensou. Só é doce demais, de modo que é enjoativo. O preço, saiu por volta de 22 pesos, equivalente a 10 reais. Caro, mas você paga por qualidade.

Experimentamos pela primeira vez ligar de orelhão pra casa. O primeiro orelhão não aceitava o cartão, por algum motivo que desconheço. No segundo conseguimos, mas não havia ninguém em casa. Saímos do shopping e criamos coragem para seguirmos no roteiro, rumo à Plaza San Martin. No caminho você passa por uns hoteis luxuosos do lado direito, contrastando com o lado esquerdo mais feio, com as linhas de trem de Buenos Aires, partindo da estação Retiro. Nesse mesmo lado há o Museu Ferroviário, mas não entramos.

Chegamos às Plazas San Martin e Fuerza Aera Argentina, contendo, respectivamente, o Monumento a los Caídos em Malvinas e a Torre de los Ingleses, da foto. Como se pode ver, ambas são referências à Guerra das Malvinas, que voltou a estar em voga nas últimas semanas, por ocasião de seu aniversário. A torre e a praça são bem bonitas e talvez seja possível subir na torre para se ter uma vista panorâmica. Mas como não sabíamos, estávamos cansados e a praça estava com muitos mendigos, achamos que havia motivos suficientes pra encerrar por ali o trajeto a pé.

Fomos até a pior estação de metrô no universo. Sim, nem em júpiter existe lugar pior. Um cheiro forte de merda e mijo pelas escadas, alguns exemplares espalhados pra nos mostrar que o cheiro não era por acaso. Compramos os tickets e pegamos o metrô até uma estação que não me lembro o nome, para fazermos conexão com a linha que desejávamos, a D. Ali, tivemos a certeza de que aquilo era o inferno na terra. Tentaram aplicar golpe na Luciana, jogando algo no cabelo dela pra distraí-la enquanto tentavam furtar a bolsa dela. Por sorte, a bolsa contava com dois feixes e só conseguiram abrir o primeiro. Pegamos aquela merda de metrô sujo e lotado e foi a última vez, saltando na estação Callao, próxima à livraria Ateneo.

Felizmente a livraria é bem legal e isso permitiu o esquecimento temporário daquela experiência ruim. O lugar parece um teatro antigo, acho que chegamos a ler algo indicando que foi. Mas é só pra ver mesmo. No terceiro andar havia um único caixa pra atender uma fila imensa. Tem que ser muito otário pra enfrentar essa fila e ainda pagar mais caro do que vocÊ pagaria em compras pela internet, ou talvez em outras concorrentes. Luciana ainda comentou que quem paga quer prestigiar a livraria, até concordo. Mas e a livraria, quando vai prestigiar as pessoas colocando mais caixas pra atender a demanda ? Não é à toa que a Argentina está como está, péssimos serviços são a regra.

Resolvemos experimentar o café da livraria. Felizmente ali o serviço foi aceitável. Tomamos dois cafés gelados gostosos, cujos nomes já me esqueci. E falando em esquecer, Luciana, que tem intolerância à lactose, esqueceu lá seu lactaid, o que foi um problema pro resto da viagem. Por sorte, ela ainda tinha alguns comprimidos separados na bolsa, o que quebrou um galho. Tratamos de encomendar mais pra viagem do Chile. Saímos da livraria e evitei ao máximo voltar a pegar o metrô, mesmo cansados como estávamos. Caminhamos pela Santa Fé até chegarmos ao ap e foi uma longa caminhada, porém agradável. A Avenida Santa Fé é cheia de vida, com comércio interessante e várias lanchonetes. Encerramos o passeio muuuito cansados e dormimos até tarde no dia seguinte.

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8 respostas para Recoleta, o bairro mais bonito de Buenos Aires

  1. Luciana disse:

    hahaha A propósito, eu tiro foto de faculdade de qualquer curso, desde que o prédio seja bonito. =P

  2. luademochila disse:

    Pois é, o mais próximo de tirar fotos de coisas relativas à telecom foi um telefone público, hahaha.

  3. Pri disse:

    Sensacional o blog de vocês! Gosto muito de viajar e antes das viagens leio tudo o que posso: Tripadvisor, blogs e afins… Posso dizer que, sobre Buenos Aires, foi um dos melhores e mais completos!

  4. Paulo disse:

    Adoraria viajar com vocês, pena que não posso !!!

  5. Bruno Gentile disse:

    Cara muito bom as recomendações Buenos Aires nua e crua, ainda mais de um bom carioca irei de 08 a 14 de maio 2014.

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