Contato com a natureza em Palermo Botânico

Decidi aproveitar que estávamos mais descansados e fomos pro Zoológico de Palermo, que é bem grande. Fomos a pé, pois o ap era pertinho. No caminho, demos uma passada no Carrefour e compramos nosso café da manhã, que consistia em medialunas (croissant) e um suco de caixa. Compramos também lanches pra levar.

Chegando lá, já na entrada uma pedinte querendo dar uma de “simpática”, saiu botando mini bandeiras da Argentina na nossa roupa e já emendou com o pedido de grana. Dei 75 centavos, o que equivale a 30 centavos nossos, o que deve ter deixado a mulezinha bem puta. Já esboçou pedir mais, nos viramos e fomos pra bilheteria. Existem duas opções de compra, o ingresso normal por 25 pesos e o “passaporte ahorro” por 40, que inclui visita ao aquário, reptidário e um passeio de barco. Tudo enganação, se puder, compre o normal. Aquário e reptidário muuito fracos e o passeio de barco, além de não estar funcionando quando fomos, é uma voltinha em torno de um lago minúsculo. Você pode ver os animais que ficam por ali de longe mesmo, não precisa do barco.

Não nos incomodamos muito com isso, pois era pouca a diferença em reais e fomos curtir o passeio. No início há uma barraca onde você pode comprar ração para dar aos bichos. De cara você já vê alguns dos inúmeros patos e alguns desses animais da foto. Esse bicho é cagão mesmo, tem medo de tudo e não enxerga direito. Quando alguém vem com a comida os patos avançam, dão porrada nesse bicho e pegam tudo. Também tinha uns pavões soltos, que eram ainda mais agressivos que os patos. Ou seja, normalmente não sobra nada pra esse bicho sem nome. Ficamos com pena e continuamos tentando dar comida pra ele, até conseguirmos.

Seguimos até os ursos, que dão um show à parte. O bicho é realmente muito charmoso e inteligente, um dia vou ser que nem ele. Enquanto esperam as pessoas darem comida, mexem com as mãos, sentam, fazem uma série de movimentos como se fossem humanos. Daí a cada vez que eles fazem essas graças vem a mulherada e solta um “ohhh”. Por um momento até pensei se não botam os coitados dos funcionários com fantasia de urso pra entreterem os visitantes. Pois bem, jogamos um pouco de ração para o bicho, que prontamente acenou e nos agradeceu, como você pode ver no lado direito. Senti que ele também queria um abraço, mas tratei de me mandar dali.

Passamos pelo tigre e pantera negra. Não vou postar fotos de tigre, pois em Luján conseguimos algumas muito mais impressionantes, como poderão ver em outro post. Mais a frente, vimos o Timão. Não, não é aquele que nunca ganha a libertadores, é esse aí da foto. O bicho é engraçado, parece que tem TOC. Toda hora se mexe e faz alguma coisa estranha. Fica parado em pé olhando pro nada, como se procurasse unicórnios. Depois anda, volta a ficar parado, anda. Começa a cavar buracos como louco, depois desiste, volta a cavar. Tudo isso indefinidamente. Jogamos um pouco de ração, mas acho que ele não curte muito. Creio que seja mais chegado num chá de cogumelo.

Vimos guaxinins, depois um macaco catando piolho no seu filhote. E então um dos bichos que eu mais tinha curiosidade de ver, a lhama ! O animal é um símbolo da região andina, especialmente da Bolívia. É bem bonito e dócil, fácil de alimentar. Tão fácil que Luciana, muito cruel, fez o bicho virar uma girafa, como você pode ver. Havia lhamas marrons e brancas. Em Luján elas ficam soltas, mas lá não consegui tirar fotos delas.

Havia um bicho chifrudo, cujo nome me esqueci. Foi então que vimos finalmente um torcedor do fluminense, provavelmente pra ver o jogo da libertadores contra o Boca. Mas, por algum motivo que desconheço, prenderam o coitado, que parecia com fome. Comovido e disposto a provar que não sou homofóbico, fui alimentá-lo. Note que não dei comida, nem nada, pois esse negócio de dar é mais a praia deles, apenas entreguei o alimento. Feliz da vida, quis me lamber e saí correndo de lá.

Já pensava comigo, não me surpreendo com mais nada. Mas o destino sempre reserva algo mais. Estupefato, vimos um mico proctologista. Já havia comentado que os hermanos são chegados em deitar na grama com bosta e os animais são ainda mais espertos, vão direto na fonte. Veja como ele é cuidadoso e interessado na anatomia do disco rosado. Não preciso nem falar que havia filas de tricolores do lado de fora para serem examinados pelo doutor mico. Sem querer ser confundido com um dos pacientes, puxei Luciana e nos mandamos dali.

Adiante havia uma zebra. Infelizmente não foi fácil alimentar o bicho de perto, pois a divisória era grande. O máximo que deu foi deixar a comida cair por um escorrega. Passamos por uma pata cheia de filhotes. Como em toda família, sempre há um meio lesado e um dos pintos foi ficando pra trás. Foi cômico, mas ficamos com pena … a pata com os filhotes se mandou pro meio do mato e o mais lesado não conseguia subir um degrauzinho que levava ao mato. Tentou umas 2 vezes e na terceira finalmente subiu.

Ainda passamos por mais alguns veados (calma, gente, sem piadinhas dessa vez), um urso polar meio tímido, que ficou só na entrada da caverna dele a maior parte do tempo e passamos novamente pelo espaço dos ursos comuns. Dali fomos ao aquário e reptidário, que já disse terem sido fracos. Há também o show dos lobos marinhos, que é uma atração à parte, paga. Cansados de pagarmos por armadilhas de turistas, entendemos que já estava bom por ali, após 3h de passeio.

Seguimos para o Jardim Botânico. Não tem nada de especial, mas é um lugar agradável pra passear. Achei mais organizado e limpo do que o do Rio de Janeiro e o melhor, de graça. É claro que não é tão grande e nem tem a mesma variedade de plantas, mas ser bem cuidado é essencial. Se morássemos por ali seria um lugar que visitaríamos mais vezes, bem agradável de sentar e ficar batendo um papo, como acabamos fazendo, já cansados. O próximo ponto era visitar o Parque 3 de Febrero, onde há o Rosedal.

O lugar é, na nossa opinião, o parque mais fantástico de Buenos Aires. Mais uma vez, o melhor é ser de graça. Mantido por uma fundação, provavelmente uma parceria público-privada. São mais de 10 mil rosas, importadas de algum lugar que não me lembro, espalhadas ao redor do parque. Algumas são premiadas pelo perfume, outras pela beleza, enfim. Luciana ficou louca e foi uma pena que eu tenha esquecido o carregador da câmera, pois precisei economizar nas fotos pro resto da viagem.

Descansamos, caminhamos e tiramos algumas fotos estilo novela, como essa aí. Lá há também um lago com pedalinho, mas não havia nenhum vago e ainda tinha um povo esperando. Infelizmente vai ficar pra próxima vez. Estávamos no outono e o lugar provavelmente fica ainda mais impressionante na primavera. Infelizmente tem coincidido de sempre viajarmos no outono, mas a primavera é melhor de se viajar por inúmeros motivos, dentre eles o clima agradável e a menor probabilidade de chuvas, sem falar que costuma ser baixa temporada.

Gostaríamos de ter ficado mais, mas já passava das 16h e a ideia era tentar ver o Jardim Japonês, que ficava ali perto. Diferente do Rosedal, o JJ é pago, agora já não me recordo o valor, acho que são 16 pesos. Nada muito caro, mas só de pensar que acabamos de sair de algo muito mais interessante e difícil de manter e que foi de graça, bate aquela sensação de estar sendo roubado. Mas quem tá na chuva é pra se molhar, entramos e não nos arrependemos.

O lugar é pequeno, você roda tudo em meia hora mais ou menos. Mas você está ali para relaxar e aproveitar um pouco um lugar diferente, bem cuidado e bonito. A construção símbolo do local é essa ponte vermelha, disputada para tirar fotos. Faltava pouco pro lugar fechar e nos mandamos. Fomos jantar num dos shoppings de Buenos Aires, o Paseo Alcorta, que fica perto do MALBA. O shopping é pequeno pros padrões brasileiros, do tamanho de um Madureira Shopping mais ou menos (sinta a referência do blogueiro suburbano). Jantamos na péssima praça de alimentação, que tem uma série de lanchonetes com PFs bem fracos e nada baratos. Como prêmio de consolação, provei o recomendado sorvete da Un’altra Volta, sorveteria que supostamente seria melhor que a Freddo. Achei mais ou menos do mesmo nível, bom sorvete. Bem cansados, voltamos pro ap.

Dicas:

– como já dizia um rapaz do Forum Mochileiros, leve lanches pro zôo. Lá é tudo ruim e caro.

– o zôo é legal, mas se vocÊ tem pouco tempo, considere conhecer apenas Luján, que te permitirá usufruir uma experiência mais completa.

– antes de sair de casa, pesquise no google maps onde estão os mercados, pra ir direto ao Carrefour. Como disse, o Disco é caro e tem muita porcaria.

– pesquise também um bom restaurante, pois tentamos na sorte e não acertamos nenhum.

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Esse post foi publicado em 1.3 - Buenos Aires dia 2. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Contato com a natureza em Palermo Botânico

  1. Vera Lucia Forencio disse:

    Parabens pelas dicas sempre sinceras e hilarias, genial !
    Vou pra Buenos Aires no feriado da consciencia negra e lembrarei das sugestões.
    Ri muito com os comentários da visitas ao Zoo!

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