Buenos Aires – uma volta pelo coração da cidade

Olá, amigos do Lua de Mochila. Quase um Galvão Bueno, mas sem ser tão chato e sem odiar tanto os argentinos. Começarei falando sobre a chegada. Decolamos às 18h e às 21h chegamos a Montevideu, como havia falado no post do cronograma, pela Pluna. O serviço de bordo da empresa é padrão Web Jet, ou um pouquinho menos mão de vaca. Eles dão uma barra de cereal. Mas a agua você tem que pagar – tomamos uma facada de 6 reais por uma garrafinha merda de 500ml. Poltronas satisfatórias, padrão Gol e Tam. Aeronave pequena, mas o vôo foi tranquilo.

Já no aeroporto de Carrasco, conhecemos o famoso Duty Free de lá. Não achei nada de mais. O de Puerto Iguazú é bem melhor. Preços em geral caros, só compensa pra quem compra coisas de marca, maquiagens e bebidas. Pobre como eu só volta entupido das Pringles, que são bem baratinhas, pra ficar entupido de gordura trans e gastar depois no hospital.

Fomos até a casa de câmbio, com uma cotação merda como sempre. Trocamos dinheiro suficiente pra uma corrida de taxi. Pensei eu, vou trocar a mais pra não ter surpresas. 50 dólares foram trocados a 837 pesos, equivalente a mais ou menos 83 reais num câmbio justo. Pois bem, foi no quiosque do taxi oficial que descobri o porquê do aeroporto ter aquele nome. Ao perguntar o valor da corrida pro terminal Tres Cruces, onde pegaríamos o ônibus da Buquebus, respondeu uma mocinha toda sorridente – 850 pesos.

Quase chorando, perguntei se poderia completar os 837 pesos com reais, o que ela obviamente respondeu que sim. Por um momento, tive a impressão de que ela diria que eu poderia completar com tudo mais, até meu tênis, o que importava era me extorquir. Pegamos o taxi e em pouco menos de 20 minutos chegamos ao terminal.

O deslocamento planejado era via Buquebus, nome de uma das principais empresas que fazem o trajeto Montevideu-Colonia-Buenos Aires. Tem esse nome por ser uma combinação de ônibus (Bus) até Colonia do Sacramento-UR e, de lá, um barco (Buque) até Buenos Aires. Nosso ônibus até Colonia estava reservado pra 1h30 da manhã, com chegada planejada pra 4h. Como ainda eram pouco menos de 22h, tomamos aquele chá de cadeira.

No início, não foi de todo ruim. O terminal é uma espécie de shopping, tendo no primeiro piso empresas de transporte e alimentação e, no segundo, várias lojas e até um supermercado. O problema é que às 22h fechou quase tudo e ficamos naquele tédio. Fizemos um lanche rápido no Mc Donalds, cujos preços são um pouco superiores aos praticados por aqui. Por volta de meia noite vimos uma fila se organizando pouco antes de entrar pela porta que dava entrada para as plataformas de embarque, no início havia uma plaquinha indicativa. Ficamos um tempão ali parados, para depois descobrirmos um traço cultural relevantíssimo – filas não servem pra nada, ao menos no Uruguai. Na hora do embarque, um monte de gente que nem na fila estava passou na frente.

No ônibus, um frio de rachar. Motorista ligou o ar-condicionado no máximo, aquele puto. Na correria, havia esquecido meu casaco e o que me salvou de congelar foi uma camisa de manga comprida. Na verdade, ali lembrei que esqueci algo ainda mais importante – o carregador das baterias da minha câmera. Tudo porque esqueci de atualizar meu checklist desde que a comprei. Não se esqueça do seu.

Em Colonia, mais um chá e não foi de cadeira, foi em pé mesmo. Um tempão na fila esperando a imigração começar. Iniciada, pediram nossos documentos e tudo tranquilo, durante toda a viagem não tivemos problemas com isso. Em seguida, paramos numa lanchonete para tomarmos o café com o pior custo x benefício das nossas vidas. Um copinho de agua suja preta por 5 reais. Intragável, e olha que não sou fresco com café. Já fica a dica, não peçam nada por ali.

Novamente, tivemos a confirmação de que filas não funcionam no Uruguai. Após um tempão em pé esperando, quando autorizaram o embarque foi aquela multidão passando na frente, entrando de qualquer jeito. Já no barco, nos acomodamos em uma cadeira confortável, prontos para uma boa soneca. A embarcação é bem moderna, contando com um free shop, uma lanchonete e amplo espaço. No andar de baixo, que parecia ser da primeira classe, havia até uma espécie de cassino, se enxerguei bem. De ruim, só um cheirinho característico de banheiro, que “perfumou” todo o barco e o ar mais uma vez ligado. Os uruguaios têm tara por frio, só pode.

Luciana, mesmo com casaco, congelou, como sempre. Acordei com enorme dificuldade, cheio de sono, já com o barco atracando na Dársena Norte, em Porto Madero, Buenos Aires. Do lado de fora estava menos frio. Na verdade, foi o mais próximo de frio que pegamos por aquelas bandas, demos uma sorte danada. O barco chegou com bastante atraso, por volta de 7h40, quando deveria ter chegado às 7h. Por sorte, marquei o encontro com o proprietário do apartamento e o corretor só às 9h, pra não correr o risco de haver atrasos e pagar multa. Pegamos rapidamente as malas e contratamos o serviço de remises, que é basicamente uma corrida pré-paga até o destino desejado, num carro particular. Saiu a 65 pesos até Palermo, equivalente a mais ou menos 30 reais. Mesmo sabendo mais tarde que uma corrida no taxímetro saía a pouco mais de 30 pesos, foi bom negócio, considerando que uma das coisas que mais nos preocupava era tomar golpe de taxista. A cidade é famosa por isso, com golpes de notas falsas, taxímetros adulterados, taxistas que dão voltas, tudo pra enganar turistas trouxas. Partimos às 8h.

Um motorista cabeludo, com cara de jogador argentino nos deixou no ap às 8h20, foi rápido. O porteiro, Vicente, muito gentil, nos deu as boas vindas e esperamos até 9h, quando fomos recebidos por Olga, a proprietária, e Franco, o corretor, mais um cabeludo com cara de jogador. Ambos foram atenciosos e nos receberam bem, falando num espanhol que não foi difícil de compreender. A empresa é a Byt Argentina. Mostrou o funcionamento de todo o apartamento, que era conforme as fotos, muito ajeitadinho. Ao mostrar o funcionamento do wi-fi, jogou no google a palavra “Boca”, referente ao Boca Juniors, principal time da Argentina. Perguntou se eu era Fluminense. Respondi que não, pois sou homem. Os torcedores do Boca são assumidamente homofóbicos, veja só.

Tudo pronto. Mesmo cansados da viagem, adotamos o espírito do viajante e partimos pra rua. Atravessamos o Parque Las Heras, ali pertinho do apart. O lugar é legal, cheio de pessoas aproveitando o clima e, como em toda cidade, cheio de cachorros e suas respectivas bostas. Assim como se vê no bom filme Medianeras, lá existem pessoas que são contratadas pra passear com os cachorros. Daí, você vê pela cidade uma pessoa levando 5, 10 cachorros nas coleiras pra passear e os cãeszinhos espalham, com orgulho, seus produtos pelas ruas. E o mais interessante é como nossos hermanos gostam de deitar na merda, pois em todo espaço com grama você vê um casal deitado tomando sol.

Começamos a tomar gosto pela cidade. Bem arborizada e, salvo os cocôs, bem limpa. Não só por ter pouco lixo no chão, como pela baixa presença de fios nos postes. Isso faz uma enorme diferença, como bem observou Luciana. Compramos um adaptador para as tomadas argentinas, que são assim. A tensão é de 220v, então se você vem de um lugar com rede 110v, como o RJ, não se esqueça de checar se seu equipamento é bivolt e se não tem que virar uma chave nele pra ficar compatível, ou adeus equipamento. Luciana chegou a se esquecer disso quando ligou a secadora e por sorte não queimou. Pois bem, passamos no supermercado Disco, uma espécie de versão do “Monoprix” francês. Aliás, diga-se de passagem, gostam de imitar os franceses em muita coisa, a cidade lembra Paris, como comentarei a seguir. Como falei, o Disco é similar ao Monoprix por ser especialista em besteiras caras. Ou seja, é mercado pra quem quer ver um monte de coisas prontas, muito bom pra quem não tem tempo e o preço que se paga é superior aos demais mercados. Compramos uns lanches pro passeio e agua, que comentarei a respeito na parte das dicas.

Compramos o bilhete do metrô, que é bem baratinho. Se me lembro bem, 2,5 pesos, equivalente a mais ou menos um real. Pegamos 4 passagens, ida e volta para dois. O metrô é dos mais caídos que já vi na vida. Abafadíssimo, creio ser impossível utilizá-lo no verão. Sempre lotado. Sujo, na verdade muito imundo em algumas estações, como escreverei em outro post. O risco de ser furtado é enorme, também escreverei sobre isso em outra ocasião. Já nessa viagem, Luciana deixou a bolsa um pouco pra trás e fomos alertados por uma moradora a deixá-la pra frente. Saltamos na estação 9 de julho e chegamos à Plaza de la República, onde há o Obelisco. Descemos a Sarmiento, compramos um cartão telefônico e trocamos pesos na casa de câmbio, veja a seção de dicas.

Caminhamos em direção à Casa Rosada, sede do governo argentino. Soube que a delegação do Fluminense, quando foi jogar contra o Boca, solicitou hospedagem no local achando que se tratava de um hotel, se identificaram com a cor e o ambiente alegre que a circula. A construção fica na Plaza de Mayo, a principal da cidade. Seu nome comemora a Revolução de Maio de 1810, que iniciou o processo de independência das colônias da região do sul da América do Sul. Viram como sou inteligentxi ? Copiei da Wikipedia.

Lá está, além da Casa Rosada, a Catedral Metropolitana, que visitamos por dentro e é bonita, além do Cabildo, que não visitamos por dentro, prédio histórico onde foi declarada esta revolução. Não chega a ser uma bela praça, parte estava interditada com cartazes de protestos, mas vale pelo seu aspecto histórico. Ali é importante não se distrair e ficar de olho nos batedores de carteira, doidos para furtarem turistas deslumbrados e tricolores que ainda acham que a Casa Rosada é um hotel.

Subimos a Avenida de Mayo, uma das que mais gostamos de conhecer na cidade. Tem muita cara de Paris, com seus cafés e arquitetura antiga preservada. Passamos pelo mais famoso deles, o Café Tortoni. Já haviam nos avisado que os preços lá são caros e não é essas coisas, então não entramos. Hoje me arrependo, depois me disseram que lá é bonito e não tem uma relação entre custo e benefício tão ruim assim. Já no fim da de Mayo, paramos num self service asiático bem barato, algo em torno de 250 pesos por 100 gramas (equivalente a um real). Já vimos que a qualidade provavelmente não seria lá essas coisas, mas foi bom contar com uma opção barata e, principalmente, por ser self service. De fato, comida meia boca, dali prestava o frango e o purê de batata. Não vimos sucos e estávamos evitando refrigerante, então não pedimos bebida. Deixamos pra comprar do lado de fora um desses de caixa, que eram uma merda. Suco não presta fora do Brasil, via de regra.

Seguimos a De Mayo até chegarmos ao belo prédio do Congresso, onde há uma praça que também é bem bonita. As praças em geral possuem uma grama bem verde (pois é, a grama do vizinho é mais verde) e aparada, contrastando com o chão que é feito de umas pedrinhas com cor de barro, bem bonito. Ali já estávamos ficando cansados. Descansamos um pouco e seguimos procurando em busca do Palácio de Aguas Corrientes.

A essa altura já estávamos mortos, só faltava enterrar. Paramos numa pracinha e quase aderimos ao curioso hábito hermano de se deitar na grama com bosta de cachorro, mas resistimos bravamente e ficamos só sentados. Aloprei, tirei tenis, meia, parecia um favelado. Após reforçar a impressão argentina de que brasileiro é sem noção, recoloquei o tenis e seguimos para o Teatro Colón, ponto final do passeio. Na foto do lado direito, o Palácio de Aguas Corrientes. Luciana saiu escura na foto, pois estava contra o sol e não dava pra iluminar ela e o fundo sem flash. E fiquei com receio de demorar pra configurar a câmera e ser roubado :/.

Chegamos ao Teatro Colón. Por fora é bonito, mas nada de mais, esperava mais. Note minha cara de animadíssimo na foto. Não o visitamos por dentro porque agora estão metendo a facada nos turistas, a visita era muito cara, algo em torno de 100 pesos por pessoa (+- 40 reais). Cheguei a pesquisar um espetáculo, mas tudo caríssimo, de 200 reais pra cima. Por ali também há o prédio dos Tribunais Pegamos o horroroso metrô e nos mandamos de volta pro ap.

Dicas:

– A agua no restante da América do Sul tem forte concentração de sódio e é essencial pra quem não é ogro demais saber qual é uma marca de agua que preste – a Echo de los Andes. Não vende em qualquer lugar, onde achamos foi no Carrefour. A garrafinha de 500ml é quase o mesmo preço da de 1,5l, de modo que não compensa comprar a menor.

– Aliás, falando em sal, os argentinos são esquisitos. Eles tomam a agua salgada e não botam sal na comida, principalmente na carne. Fique de olho nisso, tenha sempre o saleiro por perto. Ainda sobre a carne, peça sempre bem passada, pra vir ao nosso ponto. O ponto deles é mal passado.

– Compre o cartão da marca “Hable Más”, que faz jus ao nome. Um de 10 pesos dava direito a 30 minutos de ligação para telefone fixo no Brasil.

– Pesquise qual o melhor câmbio do dia no Dolar Hoy. Mas as melhores casas de câmbio costumam ficar mesmo na Av. Sarmiento, ou redondezas. Não troque dinheiro com cambistas, pra não correr o risco de levar notas falsas.

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5 respostas para Buenos Aires – uma volta pelo coração da cidade

  1. Enrico disse:

    Aí ó, num leu direito meu relato meia boca, perdeu outro bizú ! Eles não anunciam direito pra não parecer que pobre pode ir no Colón ver alguma coisa, mas tem a bancada superior que tu fica em pé por 80 ARS (uns R$ 35)… E bom brasileiro, dá um jeitin de sentar nas cadeiras quando o argentino está distraído 😉 hahahaha

  2. luademochila disse:

    Cara, li tantos relatos que mal podia me lembrar de tudo. Mas tu tem certeza disso ? Pois a cidade tá absurdamente inflacionada. Luján por exemplo foi de 25 pra 100 pesos, numa tacada só …

  3. Estou lendo os relatos do blog porque vou para Buenos Aires no próximo final de semana. Gostei bastante da forma como descreveram as impressões da cidade. E já optei por não fazer o passeio Delta do Tigre (eu já não queria, mas o tópico de vocês foi o ponto final).

    Eu também assisti ao Medianeras (muito bom)!

    • luademochila disse:

      Oi, Marcelo. Que bom que gostou. O passeio do Tigre na nossa opinião não vale a pena, mas quem tem tempo sobrando deve ver com os próprios olhos. Afinal, gosto é gosto, você sabe.

      Outro bom filme que é co-produção argentina é O Segredo dos seus Olhos. Se ainda não viu, veja.

      Quanto ao click hotéis, acho que valeu muito a pena. E com relação à grana, se você for de avião não é preciso levar nada, lá mesmo você troca um pouco na casa de câmbio do aeroporto (mas só o suficiente pro táxi, tente acertar antes). Pesquise os valores de táxi pra não te roubarem, tem muito malandro taxista por lá, infelizmente. Se for de barco, aí já é bom levar. Vai depender de onde você estará hospedado. Pra Palermo, nós gastamos acho que uns 50 pesos. Pro Centro não deve fugir muito disso. Eu levaria uns 100 só pra garantir.

  4. Realmente, o Segredo dos seus Olhos é muito bom. E com isso dava para iniciar um blog do tipo viagens e filmes.

    Eu vou levar uns pesos daqui e o Travel Card da Confidence.

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