Paris dia 1 – descobrindo Quartier Latin e Saint Germain

Nosso hotel fica de frente para o Museu de História Natural

Estávamos sem café da manhã, pois o hotel não oferecia e não houve tempo no dia anterior para passar num mercado. Partimos para a Rue Mouffetard, famosa por padarias e mercados baratos. Antes passamos pela Mosquée de Paris, uma mesquita.

Seguimos pela rue Daubenton até chegarmos ao nosso destino. Vimos quase tudo fechado, mesmo já passando das 9 e me toquei que segunda era o dia de muitas coisas fecharem em Paris.

Mas por sorte havia uma creperia aberta. Cada um pediu um crepe preparado com o tempero secreto europeu: sem luvas, com a mesma mão que pega no dinheiro. Isso não foi exclusividade desta creperia, em todos os lugares é assim. Por sorte o euro é comprovadamente muito mais limpo que o real, já que os europeus não precisam ter os mesmos cuidados com higiene que nós.

Seguimos comendo nosso crepe temperadíssimo, passando pela Paroisse Saint Medard (cuidado para não pronunciar errado) e seguimos um pouco perdidos até acharmos as Arènes de Lutèce. O lugar nada mais é que uma mini praça com ruínas romanas, mais precisamente uma arena pequena. Nada de impressionante para se ver, vale pelo aspecto histórico.

Passamos pela Place de la Contrescarpe

e continuamos nosso passeio até avistarmos o Pantheon.

Antes, demos um abraço em Rousseau e disse a ele que estava errado sobre sua teoria do bom selvagem.

Da pracinha, vimos a igreja Saint-Étienne-du-Mont,

a faculdade de direito e a Bibliothèque Sainte-Geneviève, compondo o ambiente. Dentro do Pantheon compramos nosso Paris Museum Pass, atendidos por uma senhora simpática. Os franceses em geral seguem o protocolo da polidez. Digo protocolo, pois nota-se claramente que para alguns a educação é algo que simplesmente aprenderam desde criança e repetem como robôs, sempre com a mesma entonação na voz. Crianças, mulheres, homens, idosos, todos têm a mesma impostação quando falam “bonjour”, “merci” e “s’il vous plaît”. Ainda assim, é seguro dizer que a maioria foi simpática e prestativa, bem mais agradáveis do que os italianos e, principalmente, do que os portugueses.

O interior do Pantheon é fantástico. Igreja bem bonita, repleta de quadros legais. É bem grande e a atmosfera é de paz. Ficamos um tempinho ali e fomos atrás do Cluny, o Museu da Idade Média. Passamos pela Sorbonne, famosa universidade francesa. Chegamos lá.

O museu é legal, rico em tapetes com decorações medievais, além de alguns objetos da época. Ficamos umas 2 horas por lá.

Saímos, passamos pela Place de la Sorbonne, entramos na Rue Cujas, até chegarmos a um mercado, o Monoprix. De fato, faz jus ao nome. Só há um tipo de preço, o caro. O lugar é especializado em coisas para o homem moderno como eu, que só come besteiras e coisas fáceis de se fazer, mas também há algumas outras coisas que vendem nos mercados comuns. Abastecemos e fomos para o Jardim de Luxemburgo.

Lá fizemos um piquenique com o que havíamos comprado, o farofão

Gostamos bastante do lugar, é bem bonito, programa para se passar a tarde. Mas não ficamos muito tempo, pois estava um frio absurdo.

Em praticamente todo jardim tem essas cadeiras, onde o pessoal pode se sentar livremente e ficar de bobeira. Sonho meu se o Brasil fosse assim … se colocarem aqui não vai demorar duas horas e vão carregar pra casa todas as cadeiras.

Seguimos nosso caminho em direção ao bairro Saint Germain. Como em todo lugar amplo, como praças, shoppings e jardins, a dificuldade de se orientar é um pouco grande. Você sabe para onde ir, mas não tem uma bússola pra saber. E o curioso é que o Google Maps dá instruções como “siga para a direção oeste, indo para a rua tal”. Ora, como vou saber pra onde é o oeste, ainda mais num dia nublado, sem poder sequer me guiar pelo sol ? Você olha os nomes das ruas e muitas vezes vê o que não está no mapa (no Gmaps só aparece dependendo do zoom que você der). Quando é uma praça a coisa piora, pois no nome de cada rua que a contorna aparece “Praça X”. Por fim, vale mencionar que acabei perdendo meu GPS na viagem de trem de Milão pra Paris. De tanto mexer na mochila nas 7 horas de viagem, creio que acabei deixando o GPS cair no banco e só fui perceber no dia seguinte. Perdi, playboy.

Bem, acabamos nos “achando” num ponto bem diferente do roteiro original. Seguimos pela Rue Bonaparte e nos vimos na Place Saint-Sulpice.

Ali entramos na igreja Saint Sulpice, que não estava no roteiro original. Foi ótimo, pois a igreja é bem bonita e não custa nada para visitar.

Andamos mais um pouco

O mundo desabando

e avistamos o Café des Deux Magots, um dos mais famosos de Paris. Era freqüentado por Hemingway e mais uns fulanos.

Resolvemos fazer uma extravaganciazinha e pagamos o cafezinho mais caro de nossas vidas, 4 euros, curtindo por alguns minutos a vida dos parisienses chiques. Um senhor simpático se ofereceu para tirar uma foto.

Pertinho dali estava a famosa igreja Saint Germain des Près.

Foi meio decepcionante, pois metade dela estava em reforma, de modo que improvisaram um altar que provavelmente não chegava aos pés do original.

Naturalmente, ficamos pouco tempo e seguimos o passeio. Conhecemos os famosos “macarons”, doce típico da França

Passamos pela Escola Nacional de Belas Artes e pela Pont des Arts, uma pontezinha bem legal, lotada de cadeados de casais apaixonados. Na foto, a Pont des Arts e o Institut de France

Atravessamos a Pont des Arts, andamos em direção à Ile de France e pegamos a Pont Neuf, a ponte mais antiga que atravessa o rio Sena

atravessamos a Ile de la Cité, avistando construções gêmeas, de cujo nome ainda não sabemos

E caminhamos um pouco por ali

Square du Vert-Galant

E não parávamos mais. Passamos pelo Palais de Justice

Place Dauphine, Monnais de Paris e por aí vai. Nossa idéia era continuar com o roteiro original e seguir para a livraria Shakespeare and Co e arredores, mas eu estava apertadíssimo para ir ao banheiro. Seguimos a rua Dauphine e andamos sem rumo por Saint Germain em busca de um, até que finalmente parei numa padaria. O frio é um problema e como eu bebo muita água, passei por esse perrengue a viagem toda. Normalmente o Mc Donald’s era minha salvação, mas dessa vez foi essa padaria.

Ainda andamos pela rue de Buci, rue Saint-André des Arts, mas a bateria estava arriando e nossos pés já não mais existiam. Pegamos o metrô e nos mandamos para o hotel, satisfeitos por termos seguido o ditado de Victor Hugo

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10 respostas para Paris dia 1 – descobrindo Quartier Latin e Saint Germain

  1. Aline disse:

    Vou pela primeira vez à Europa, sozinha com meu esposo, sem guia ou agência. O que é melhor nessa primeira vez: conhecer a Itália(Roma, Florença e Veneza) ou França (Paris)?

    • luademochila disse:

      Oi, Aline. Acho que tanto a Italia quanto a França são fáceis de conhecer sem agência. Então sua escolha vai depender das suas preferências pessoais. São experiências bem diferentes. Quantos dias completos (sem contar o da chegada e o da partida) você tem pra viajar ?

    • luademochila disse:

      Você pode fazer um roteiro parecido com o nosso. Dias 1,2,3 em Roma. Dia 4, deslocamento de noite de Roma para Florença. Dias 5,6,7 em Florença, com bate e volta para Siena, San Gimignano, Pisa e Lucca. Dia 8, deslocamento de manhã para Veneza, ficando lá até dia 9. Ou então de 5 a 7 dias completos em Paris e o resto usado para bate e volta para algumas das cidades ao redor. Leia os posts dessas cidades e veja qual viagem te enche mais os olhos.

      • Aline disse:

        Olá, obrigada pelas dicas. Então, eu estava certa em ir para a Itália, mas lendo seus posts este país pareceu mais cheio de maladragem/desorganização que a França… daí fiquei insegura.

  2. Letícia disse:

    Oi Luciana.
    Estou indo com meu namorado à Londres e Paris, em março.
    Não falamos inglês, tampouco francês…rsrs
    Estou apreensiva por isso. Você acha que nos viraremos legal por lá?
    Abraço.
    Letícia.

    • luademochila disse:

      Letícia,

      Se vocês forem de excursão, acho que não há o que temer. Indo por conta própria, é bom levar um guia de frases em francês e sempre estar com papel e caneta. Aí você copia a frase do guia, em francês e pede pra pessoa escrever a resposta, ou desenhar. Você pode também ficar atenta se não há brasileiros por perto. Nos lugares mais turísticos sempre há. Aí você pede informação pra eles.

      Certo é que sem perguntar nada é bem improvável. Aprenda ao menos o básico na língua local – obrigado, por favor, bom dia, “não falo inglês”, etc.

      Boa viagem.

      Abraços.

  3. Maybe disse:

    Ola,
    parabens pelo blog e pelo relato no mochileiros.
    por favor, poderia me passar a relação dos hoteis em que ficou na Italia e em Paris (os que voce indicaria)?
    obrigada

    • luademochila disse:

      Olá,

      A viagem foi há quase 3 anos, muitos dos hotéis em que ficamos hoje não possuem a mesma relação entre benefício e custo. Por exemplo, o hotel Aurora, em Florença, custou 40 euros a diária. Uma pechincha. Hoje, não sai por menos de 100. Esse valor eu já não pagaria. O apart-hotel em que ficamos em Paris, o les Jardins du Roy, foi legalzinho, mas acho que hoje eu procuraria algo mais barato mesmo que mais distante.

      Então prefiro te ensinar a procurar os melhores hotéis de hoje do que indicar hotéis de 3 anos atrás. Veja só:

      Todos foram reservados pelo site http://www.booking.com, pois acho prático e seguro, com reviews de pessoas que realmente se hospedaram lá.

      1 – nome da cidade.
      2 – filtre pelas duas primeiras faixas de preço
      3 – organize por “review score”, ou notas de usuários. Pelo que vi nos comentários, hoteis com notas abaixo de 7,5 não costumam prestar. O mínimo do mínimo é nota 7.
      4 – elimine hoteis distantes demais, procure no Google onde é bom se hospedar na cidade que você vai. Onde houver metrô, o melhor lugar costuma ser perto de uma estação.
      5 – priorize hoteis com frigobar, de preferência com cozinha (normalmente apartamentos). Isso dá uma economia enorme. Wi-fi também é bastante desejável, se você não contar com 3G.
      6 – leia todos os comentários. Todos mesmo, sem preguiça, pois às vezes você lê coisas bizarras. Procurando hotel em Cinque Terre, num dos comentários um hóspede achou escorpião na cama !!!

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